sábado, 4 de setembro de 2010

(...) e me disse que meu olho direito perdera o fosco de meses, quase anos e que a cor sem-vida do olho esquerdo estava se despedindo. Eu demorei, mas entendi; eu voltara a sorrir como antes, e melhor, eu voltara a pensar como antes.
Mas qual antes? Será mesmo que eu precisei me decair de tal forma para poder recuperar o amor perdido? Esse amor que sofreu, muito mais do que todo o meu eu enquanto o deixei trancado e completamente esquecido nos meus atos de loucura, nas minhas ligações, nos meus choros e nos meus pensamentos completamente ocupados por um amor que talvez nunca fora correspondido na mesma proporção. O meu amor, só meu, o impossuível, se é que essa palavra existe (eu gosto de criar minhas palavras), de minha total potência: meu amor próprio. E sem hífen, porque o meu é independente, e que isso fique bem claro!
Eu simplesmente voltei para os meus braços. Eu não imploro, eu não me perco. Infelizmente eu tive que expor a minha pele aos dias frios, algumas vezes às geadas, mas depois abriu um céu tão lindo que eu deixei de lembrar e remoer os dentes batidos para ver e viver os girassóis vencidos.

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